Studio Fiasco (o relato de uma noite)

Quem achar onde diz quais são as cantoras da noite ganha um cigarro.
Studio Fiasco
Laura Leal
A noite prometia. O site anunciava beldades no palco e músicos fazendo um som de primeira. Mas o que era para ser um show elegante acabou se transformando em um circo de horrores. Claro já era de se esperar que os músicos subissem ao palco muito depois da meia noite, quem freqüenta o Studio SP sabe dessa particularidade. O preço estava mais salgado do que de costume, R$ 30 sem nome na lista. Mas tudo bem, o site dizia que atrizes e cantoras das mais bonitas estariam lá cantando (ver imagem). Valia a pena colocar o nome na lista e engolir seco os R$ 20 bem gastos.
Irritação inicial: a lei que exclui os fumantes das áreas de convivo social. Ela deveria ser descrita assim: “Quem fuma não pode se relacionar com os outros. Deve ficar excluído dessa sociedade careta que acha que proibir o cigarro é ser do primeiro mundo.” Antonio Fagundes (sim o ator) falou algo muito bom sobre essa nova segregação: “O próprio Serra é ex fumante e não tem nada pior do que ex”. Não sou a favor de jogar fumaça nos outros, mas é preciso encarar a realidade de que existem muitos fumantes que também merecem respeito. Faltam alternativas para esses quase criminosos.
Enfim, isso é um assunto para uma outra vez. Mas o que eu observei e senti na pele (eu fumo e não tenho vergonha disso) foi a falta de estrutura do lugar para lidar com essa nova proibição. No começo da noite eles permitiram que as pessoas saíssem para fumar, mas segundo o gerente (que infelizmente eu não sei o nome porque se soubesse faria questão de colocar aqui) alguns debandaram e não pagaram suas entradas (aqueles modestos 20 ou 30 reais e mais uns drinks). Então eles decidiram burocratizar o ato de fumar, para algumas tragadas você precisava: 1) entrar na fila do caixa, que não é pequena 2) pagar o que você consumiu 3) entrar em uma outra fila 4) pegar uma pulseirinha 5) entrar na fila dos fumantes 6) e quando chegar a sua vez você finalmente pode acender seu cigarro. E toda vez que você desejasse umas tragadas era preciso aturar tudo isso de novo. Ao saber disso, meu nível de irritação começou a subir. Mais fácil colocar do lado de fora: “Proibido fumantes”.
Agora imaginem um fumante sem seu cigarro, esperando há duas horas para o bendito show começar e vem alguém e acende um banza do seu lado como se fosse normal! Não acreditei! O meu cigarro industrializado e cancerígeno é muito mais proibido do que uma droga ilegal que sustenta o tráfico. Fui atrás daquele gerente mala, mas quando eu precisava dele sumiu. Não ia dar de dedo duro só ia fazer uma pergunta básica: “Cigarro não pode, mas maconha ok”. Nível de irritação nas nuvens já.
Finalmente começou o show. O 3 na Massa entrou e os músicos se acomodaram nos seus respectivos instrumentos, Pupillo, Rica Amabis e Dengue. Primeiro sobe no palco uma cantora, não lembro de ver ela no site. Mas até que vai. Entra outra, mais desconhecida. Agora começou: Nina Becker mostra que pode. Depois sobe uma que eu não sei de onde conheço, malhação ou novela das seis? Até que estava divertido, mas a irritação inicial estava desvirtuando meu foco. E eu na esperança de ver Alice Braga, Céu, Leandra Leal no palco. Mas antes de perceber que isso realmente era delírio meu a “menina malhação” terminou sua música. Enquanto a maioria aplaudia, Pupilo (baterista do Nação Zumbi e do 3 na Massa) levantou do seu lugar foi em direção da platéia e simplesmente socou um cara. Assim, com a maior naturalidade. Sério, levantou atravessou o pequeno palco da casa e nocauteou o cara. Nunca saberei o que esse cidadão falou para o Pupilo reagir desse jeito. Só sei que ele saiu do palco e foi chorar no camarim. Ganjaman (o dj da noite) apareceu correndo para assumir as pickups e amenizar o burburinho.
Já comecei a pensar em mais uma irritação da noite. “Preciso pedir meu dinheiro de volta”, e isso seria uma briga infernal. Mas para evitar uma situação de caos maior, Ale Youssef (um dos sócios do lugar) que até então estava recluso na “ala Vip” subiu no palco com Pupilo e faz o terrível show continuar. O agressor se justificou no microfone mais ou menos assim “a gente veio aqui para se divertir se o cara não tá gostando do show vai embora”, a “cantora malhação” (ou era novela das seis? Acho que era o Esplendor) apoiou seu colega “o Pupilo deu um soco no cara porque ele tava enchendo o saco”. Quantas conclusões seriam possíveis com esses discursos! Então tá só vale a lei do Serra, não pode fumar cigarro, mas pode maconha e o artista pode socar a platéia que não está gostando do show.
Precisava de mais motivo para o nível de irritação subir? Achava que não. Até chegar na fila para pagar. Um amontoado de pessoas se batendo e um punhado de espertos furando na cara de pau. A fila é para os otários. Pronto paguei chega dessa noite, termina logo. Sai louca para fumar um cigarro fui comprar um maço no boteco a resposta foi “Só na Paulista”. Não tinha nenhum para vender. Acabei fumando um cigarro de um funcionário do Studio Sp mesmo. Melhor, Studio Fiasco.
agosto 17, 2009