Então > vamos
Todos os objetos e circunstâncias de agora me fazem acreditar que houve (sim) um tipo de macumba feita há algum tempo atrás. Talvez até em tempos recentes. Apesar de achar muito engraçada a ideia de que alguém possa realmente ter atravessado a cidade, e, com os pés no centro, ter entrado no Beco na Mãe Cleusa com a determinação de me macumbar, há sempre uma explicação profunda pra qualquer coisa (mente quem diz que consegue pensar em nada) – um sonho estranho, o resultado do jogo de futebol, a escolha desse sapato e não do outro – porque ninguém agüentaria viver no raso, principalmente se nele reconhece-se que talvez você não seja tão importante ao ponto de não quererem você macumbado(a). Macumba, pois, é prova de bem querer: odiar a quem se morre de amores. Pode ser ‘autoflagelação?’ Pode. Eu admito. Só que depois da autoflagelação vem a indulgência botando panos quentes – ‘calma, isso aconteceu por um motivo maior. O problema não é com você. Se perdoa, vai’. O covarde do Sartre encontraria descanso e recheio para ‘o inferno são os outros’. E, jurando de pés juntos que eu só acredito em Deus se tirarem as consoantes (eu, e com 20 anos, sou só eu mesmo) – que bobagem – o traço religioso, pelo menos no que diz respeito à fé, é bastante evidente: acreditar, de maneira ingênua, de que aquilo precisava acontecer exatamente daquele jeito. Uma sensação de que as coisas realmente já estão escritas.
Pois então, sai-se de casa, pensa-se até de um jeito prudente, no dia do rodizio do carro, ‘então vamos a partir das oito, sem problemas’. Chega pra aula de história ou fotografia (não lembro, só lembro que quinta feira era o dia legal da semana), vê que não terá aula e ir de encontro com os seus amigos. Começa a chover, tem gente que vai a pé pra casa. Vou ser gentil: to de carro, dou carona até certo ponto. Perco-me no meio do caminho, abro a janela porque tá garoando, mas não faz frio. E aí acontece o que já aconteceu com quase todo mundo que se reconhece paulistano da gema: um assalto. Levam celular, dinheiro e uma reação razoável: ‘vai, leva tudo. Só não me leva’.
As lições dessa história? São quatro:
São necessárias situações de perna bamba para colocar os pingos nos ‘is’ – em períodos de calmaria isso não acontece (que bosta);
Dá vontade de abraçar todo mundo se sair ileso(a);
Na verdade você mesmo(a) se macumba;
E não dê bobeira na Henrique Schauman. Nem de manhã nem à noite. Nunca. Se puder traçar outro caminho, melhor.
Bônus da última (e mais importante) lição: chega de cinismo.
Lembrem-me disso todo dia.
fevereiro 14, 2009
Ju… não tinha lido ainda… você se superou neste texto… parabéns…